Sustentabilidade do agronegócio: Brasil quer mostrar atitude no G20

Sustentabilidade do agronegócio: Brasil quer mostrar atitude no G20

Sustentabilidade do agronegócio envolve também impactos da mudança do clima como uma “questão-chave” nesses debates

O Brasil quer aproveitar sua presidência no G20 – grupo das maiores economias do mundo – para divulgar as boas práticas no setor agropecuário nacional e advogar contra possíveis barreiras comerciais aos produtos do campo.

Sustentabilidade do agronegócio

Neste quesito, a sustentabilidade no agronegócio é uma das prioridades que o país apresentou na segunda-feira (19/2), em reunião virtual com outros integrantes do G20, para as discussões do Grupo de Trabalho da Agricultura ao longo do ano. O colegiado reúne representantes de 30 países e mais 30 organizações internacionais.

Pauta brasileira

Com isso, a pauta brasileira também inclui o aumento da contribuição do comércio internacional para a segurança alimentar e nutricional, além do reconhecimento do papel efetivo da agricultura familiar, camponeses, povos indígenas e comunidades tradicionais para sistemas alimentares sustentáveis, saudáveis e inclusivos e a promoção da integração sustentável da pesca e aquicultura nas cadeias sociais locais e globais. Além disso, a discussão vai abordar também o impacto do clima no setor produtivo e nos desafios para garantia da segurança alimentar e nutricional.

“A sustentabilidade e a demonstração das múltiplas formas e múltiplos caminhos que ela pode percorrer na agricultura visam evitar a tomada de decisões unilaterais de alguns blocos ou países contra determinada forma de produzir em determinado país. Isso é demanda global dos países produtores, queremos mostrar que a sustentabilidade pode ser feita de várias formas de acordo com solo, clima, cultura local, mas claro de forma sustentável”, afirma o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Roberto Perosa. Ele é o coordenador do GT de Agricultura do G20.

Quatro encontros presenciais

Vale dizer que o Brasil sediará ao menos quatro encontros presenciais a partir de abril (em Brasília, Recife e Cuiabá), com a participação das delegações estrangeiras das 20 maiores economias do mundo. O objetivo será elaborar um documento técnico com as diretrizes para o desenvolvimento sustentável do setor agropecuário nesses países.

A secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, destacou que os pontos levantados pelo Brasil receberam elogios. E especialmente a valorização da agricultura sustentável e a inclusão dos pequenos produtores como atores fundamentais para a produção de alimentos saudáveis no mundo.

Durante coletiva, Fernanda explicou também que expuseram diversas boas práticas e programas que o Brasil já desenvolve. E isso vai desde a política nacional de agroecologia e produção orgânica, práticas que Brasil já é referência na agricultura tropical, e outras iniciativas que visam preservar nossas florestas.

“Os países falaram sobre a redução do desmatamento, e Brasil já alcançou uma taxa impressionante de redução de desmatamento na Amazônia neste primeiro ano de governo.”

Ela citou ainda os programas de restauração de áreas desmatadas, como o Florestas Produtivas, e as linhas de crédito incentivadas do Plano Safra 2023/24 para a produção sustentável.

PNCPD

Por sua vez, o secretário Roberto Perosa lembrou que as prioridades do Brasil no G20 também têm relação com o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD), que pretende recuperar ou converter até 40 milhões de hectares com algum nível de degradação.

Interesse de investidores

De acordo com o secretário, a presidência brasileira no grupo das maiores economias do mundo também tem atraído olhares e investimentos estrangeiros para o país. Ele disse que há um crescente interesse de investidores árabes, por exemplo.

“Diversos fundos nos procuram querendo investir no Brasil. Arábia Saudita tem dado exemplo de investimentos no Brasil, os Emirados Árabes também. E temos previstas visitas de diversos fundos nos próximos dois meses aqui no Brasil para analisar possibilidade de investimentos, principalmente na área de grãos, proteína animal e açúcar. São três grandes segmentos que o mundo árabe está procurando para investir no Brasil”, explicou.

Mudanças climáticas

Os impactos das mudanças climáticas também estarão na pauta, disseram os secretários. “Temos tido total atenção com a questão climática. Estamos finalizando este Plano Safra e já olhando para o próximo, pensando em como podemos estabelecer novas metodologias para garantia da produção nesses locais e acompanhando os efeitos do El Niño e La Niña para que possamos mitigar os efeitos na produção brasileira”, disse Perosa.

Questão-chave

Todavia, como já mencionado acima, Fernanda Machiavelli disse que as mudanças climáticas serão uma “questão-chave” na presidência do Brasil no G20 para nortear os debates da transição agroecológica, para agricultura de baixa emissão de carbono.

“Esse tema tem clara importância no nosso GT, porque se, por um lado, sabemos que foi a mudança do uso do solo e as queimadas que contribuíram para as emissões de gases do efeito estufa, sabemos que são os agricultores que mais sofrem”, apontou. “São sucessivas perdas de safra que impactam também o orçamento público e nos impõe grande desafio, que é garantir a produção dos alimentos, garantir os preços mínimos para que agricultores possam sobreviver e precisamos ter amparo e adaptação para que os agricultores possam seguir produzindo de maneira sustentável”, completou.

Contudo, Fernanda admite que o maior desafio será integrar o desenvolvimento sustentável e a segurança alimentar. Estudo encomendado pelo G20 para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) revela que o Brasil precisará expandir em 28% a produção de alimentos para atender a demanda mundial na próxima década.

“Só vamos conseguir ampliando produtividade das áreas, já que não queremos ampliar áreas agricultáveis sobre florestas e entendemos que tem o desafio de diminuir a penosidade do trabalho no campo. O nosso foco também é de ampliar o acesso à tecnologias para os agricultores familiares”, concluiu.

*Foto: Reprodução/https://br.freepik.com/fotos-gratis/homem-de-alto-angulo-na-fazenda-com-tablet_8762959.htm#fromView=search&page=1&position=8&uuid=faf4d1a8-2264-4eef-9f68-c386729bc6ff

Multiplicação de emendas bilionárias em ano eleitoral: o que significa?

Multiplicação de emendas bilionárias em ano eleitoral: o que significa?

Multiplicação de emendas bilionárias, que resulta em grandes valores aplicados de forma “correta” é meio caminho andado para a construção/consolidação de redutos eleitorais

Nunca antes (na história deste país) o Congresso Nacional foi tão importante para o resultado de uma eleição municipal como será em 2024. E essa influência tem nome: emenda parlamentar.

Portanto, o país tem que estar atento às movimentações na política neste ano.

Isso inclui a fatia do Orçamento que cabe aos parlamentares, que foi relevante nos últimos pleitos, e neste ano promete ser decisiva.

Multiplicação de emendas bilionárias

A seguir entenda sobre a multiplicação de emendas bilionárias, uma vez que o Congresso Nacional previu R$ 53 bilhões para 2024. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou R$ 5,6 bilhões. Mesmo assim, o que sobrou ainda é o maior valor já reservado em emendas para um único ano.

Além disso, o montante para o fundo eleitoral também é recorde neste ano, totalizando R$ 4,9 bilhões.

Cálculo aplicado de modo correto

O cálculo sobre o impacto de tudo isso é simples: grandes valores aplicados de forma “correta” é meio caminho andado para a construção/consolidação de redutos eleitorais.

Sendo assim, a expectativa é de que só com emendas individuais de transferência especial – as chamadas emendas Pix – os congressistas injetem cerca de R$ 8 bilhões nas cidades espalhadas pelo país.

A modalidade é das mais atrativas. Isso porque não necessita ter o destino determinado previamente.

Ou seja, é aporte rápido com potencial imediato de alavancar candidaturas de aliados.

Eleições 2026

Afinal de contas, 2026 está logo ali para inverter os papéis, explica Larissa Rodriguesda, do portal CNN. Será a vez dos prefeitos eleitos pedirem votos para eleger os deputados e senadores.

“Tanto dinheiro tem potencial de tornar candidato fraco em forte e desconhecido em conhecido”, disse um experiente congressista à CNN.

*Foto: Reprodução/https://br.freepik.com/vetores-gratis/conceito-de-recuperacao-financeira-de-coronavirus_8256931.htm#query=Multiplica%C3%A7%C3%A3o%20de%20emendas%20bilion%C3%A1rias&position=10&from_view=search&track=ais&uuid=deaf4b6f-7121-4518-9f22-a03da0643e3d