Regresso do Bolsa Família: o maior impacto social em 100 dias de governo

Regresso do Bolsa Família

Regresso do Bolsa Família segue pagando benefícios, só que agora no valor R$ 600 por família e adicional de mais R$ 150 por criança de até 6 anos de idade

Considerado o maior programa de transferência de renda e de combate à fome da História do Brasil, o Bolsa Família foi repaginado e melhorado antes que o atual Governo Federal completasse 100 Dias de gestão. Mas, para isso, foi necessário efetuar uma análise profunda no Cadastro Único dos beneficiários dos programas sociais federais a fim de ampliar a proteção e impacto social das famílias brasileiras em situação de vulnerabilidade.

Regresso do Bolsa Família

O regresso do Bolsa Família ocorreu no mês de março. Sendo assim, todas as famílias beneficiárias passaram a receber um benefício mínimo de R$ 600 mensais. No entanto, em alguns casos, esse valor pode ultrapassar até R$ 1.000 por mês, pois será pago benefício extra de R$ 150 mensais por criança de até 6 anos de idade vinculada a famílias beneficiárias. Além disso, também foi criado benefício extra de R$ 50 para cada integrante dos grupos familiares beneficiados que tenham entre 7 e 18 anos, ou gestantes. Contudo, esse benefício extra de R$ 50 começa a ser pago em junho de 2023.

Regras

A principal regra para ingressar no novo Bolsa Família, instituído este ano, é a família ter renda mensal abaixo de R$ 218 por pessoa. Ou seja, num exemplo hipotético, se uma família integrada por 2 adultos em idade de trabalhar mora na mesma casa com os 3 filhos e 1 idoso de mais de 65 anos e a soma da renda dos adultos for de 1 salário mínimo, a divisão desta renda (hipotética) por 6 pessoas dará R$ 217 mensais. Logo, esta família está elegível ao Bolsa Família e passará a receber no mínimo R$ 600 e mais R$ 150 por cada filho abaixo de 6 anos ou mais R$ 50 por filho entre 7 e 18 anos e caso algum dos integrantes desse núcleo familiar se encontre na condição de gestante.

Como ter acesso ao benefício

As famílias que tenham interesse em ingressar no Bolsa Família precisam estar obrigatoriamente inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal. As informações para esse ingresso podem ser obtidas nos postos de atendimento do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). Para se manterem inscritas e com acesso aos benefícios do programa, as famílias precisam cumprir algumas condições:

  • As crianças de 4 a 17 anos das famílias inscritas têm de manter a frequência escolar em dia. Ou seja, nada de faltar à escola. Todas as crianças de até 6 anos de idade têm de manter o acompanhamento nutricional (medição de peso e altura em postos de saúde) em dia. Se houver uma gestante na família beneficiária, ela terá de fazer o acompanhamento pré-natal comprovado. As carteiras de vacinação, tanto das crianças quanto dos adultos, terão de estar em dia de acordo com o calendário público de vacinação estabelecido pelo Ministério da Saúde.
  • Duas das grandes inovações do novo Bolsa Família, aperfeiçoado em 2023, são a regra de proteção e o retorno garantido ao programa. Pela regra de proteção, se a família melhorar de vida e a renda do grupo crescer até o equivalente a meio salário per capita (ou seja, por cada pessoa da família), eles seguem integrando o Bolsa Família por até dois anos com redução de 50% dos benefícios. No retorno garantido, as famílias que se desligarem voluntariamente (por vontade própria) ou perderem renda, têm prioridade no retorno ao programa – desde que mantenham em dia suas informações no Cadastro Único.

*Foto: Reprodução/Flickr (Agência Senado)

BNDES sob Lula: mais impacto social, menos portos e rodovias

BNDES sob Lula

Com BNDES sob Lula, de acordo com Luciene Machado, que está à frente de área de estruturação de projetos, afirma que temas como mobilidade urbana serão prioridade

Recentemente, com as mudanças dentro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) após as eleições, incluindo a nomeação de Aloísio Mercadante como novo presidente, investidores passaram a questionar qual será a nova diretriz de atuação do banco de fomento. E isso principalmente no que tange a infraestrutura. Segundo a superintendente da área de estruturação de projetos, Luciene Machado, a instituição terá um novo olhar para esta divisão, prezando o impacto social.

BNDES sob Lula

Sendo assim, com o BNDES sob Lula, Luciene disse o seguinte ao portal Bloomberg Línea:

“O papel de estruturação de projetos vai continuar, mas com ênfase naqueles com maior impacto social, que reduzam a desigualdade, tanto regional como social.”

Ela disse ainda que a estruturação de projetos está alinhada com o mandato que o BNDES tem como banco de desenvolvimento e é complementar ao papel de financiador de longo prazo da infraestrutura.

Além disso, conforme a executiva, o banco de fomento vem atuando em um amplo conjunto de segmentos em infraestrutura. Isso inclui: rodovias, portos, aeroportos, e também frente imobiliária – na área de revistalização de espaços públicos e do patrimônio histórico.

Projetos de estruturação

Em agosto de 2019, de acordo com dados do BNDES, ele saiu de 22 projetos de estruturação em carteira, para mais de 190 em 2022. Isso resultou em uma estimativa de R$ 450 bilhões de capital mobilizado. Entre janeiro de 2019 e novembro de 2022, foram quase 40 leilões realizados.

E um dos projetos mais emblemáticos estruturados pelo BNDES nos últimos quatro anos foi o da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa). Esta é primeira privatização de autoridade portuária do País. O leilão foi promovido em março de 2022 e que teve como vencedora a gestora Quadra Capital por meio de um FIP (Fundo de Investimento em Participações).

Contudo, vale lembrar que até o ano passado, a promessa do banco era promover outros leilões de autoridade portuária. E isso incluía o Santos Port Authority (SPA ou Porto de Santos), São Sebastião (SP) e Itajaí (SC). Entretanto, para o novo ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, vem se manifestando de forma contrária à privatização desses ativos.

Em contrapartida, o banco de fomento vinha estruturando projetos em outros setores, como rodovias. Neste caso, um dos mais esperados era o pacote do Paraná, com estimativa de investimento total de R$ 45 bilhões nos seis lotes de estradas envolvidos.

Por outro lado, o foco agora da área de estruturação de projetos do banco deve ser diferente, afirma Machado.

“Temos uma atuação que se diversificou muito, mas eu diria que o foco na infraestrutura social e de melhoria da qualidade de vida talvez seja o mais relevante no momento.”

Em compensão, setores como saúde, educação, mobilidade urbana e saneamento emergem como prioridades para divisão do BNDES.

“É uma atuação que o banco quer ter escala e que está alinhada com as políticas públicas. É um tema muito caro ao BNDES.”

Para Luciene, o saneamento é o exemplo mais claro na agenda do banco de como um setor pode promover a redução da desigualdade. E que o BNDES está engajado totalmente nesta agenda de formular projetos de infraestrutura que tenham esse impacto.

Mobilidade urbana

Por fim, a especialista que disse que o banco de fomento está desenvolvendo com a cidade do Rio de Janeiro um projeto de conversão do modal sobre rodas para trilhos erm dois corredores de ônibus relevantes para o município: TransOeste e TransOlímpica.

Por fim, ela ressaltou que há outros projetos de mobilidade sendo desenvolvidos nos estados do Paraná e de São Paulo.

*Foto: Reprodução/Flickr (Casa da América)

Startups de impacto social: conheça 5 para ficar de olho em 2023

Startups de impacto social

Startups de impacto social têm ajudado a reduzir a desigualdade por meio de ações educativas focadas em população de baixa renda

Práticas ESG, da sigla em inglês para Environmental (Ambiental), Social (Social) e Governance (Governança) é a bola da vez no universo corporativo e não tem sido diferente no ecossistema de inovação. Sendo assim, obstinar como resultado o impacto social positivo que um negócio pode agregar vem sendo cada vez mais uma preocupação de algumas startups.

Startups de impacto social

Neste cenário, ações que priorizam a letra S da sigla, de social, têm se destacado no Brasil, local de grandes desigualdades sociais.

Este é um dos critérios de programas como o BNDES Garagem – Negócios de Impacto. Ele promove o empreendedorismo em todo Brasil por meio de um programa de aceleração que privilegia empresas que ajudem a transformar a realidade da população.

Atualmente, a iniciativa conta com a parceria de três organizações referências no ecossistema de empreendedorismo e inovação: Artemisia, Wayra e Liga Ventures.

A seguir, conheça cinco startups de impacto social, apoiadas pelo programa, para acompanhar em 2023:

Ela Faz

Promove a paridade de gênero, diversidade e inclusão social por meio de uma plataforma de tecnologia educacional que qualifica mulheres para o mercado de trabalho.

Além disso, a startup promove estudos nas comunidades, levantando dados sobre mulheres e direcionando a criação de cursos e conteúdos que atendam às necessidades específicas desses grupos. As formações são desenvolvidas de modo acessível, nas modalidades EAD e presencial.

A startup também faz acompanhamento psicossocial, para detectar as lacunas a serem trabalhadas nas mulheres participantes, para que estejam prontas a responder às expectativas operacionais e comportamentais do mercado. Mais de 2000 mulheres já participaram das formações.

Edumi

Startup que capacita jovens de baixa renda para o mercado de tecnologia. Por meio do programa gratuito Edumi for Youth, os alunos aprendem além de habilidades em tecnologia, soft skills importantes para conseguirem uma colocação profissional. 

Com duração de quatro meses e carga horária que supera 300 horas, o foco é atrair, selecionar, capacitar e dar mentoria aos participantes, apresentando as dinâmicas do ambiente corporativo a partir do contato gerado com as empresas patrocinadoras. 

Partiu!

A Partiu! é uma startup que através de uma plataforma de aprendizagem gamificada capacita e conecta mães de periferia a empresas de tecnologia. Com isso, elas desenvolvem competências cognitivas, socioemocionais e profissionais por meio de estratégias personalizadas geradas por recursos de Inteligência Artificial.

O objetivo é quebrar o ciclo de pobreza, ajudando mães em situação de vulnerabilidade a estudar e trabalhar, ressignificando seu papel na sociedade.

NoFront

A NoFront é uma plataforma digital com foco em jovens negros da periferia. Surgiu para aproximar pessoas pretas da educação financeira, ajudando a reduzir as desigualdades, promovendo a emancipação econômica.

Seu lema é que todos devem viver de forma abundante, próspera e igualitária. Para isso, oferece cursos sobre economia por meio das músicas de RAP – metodologia inédita de ensino.

Oferece ainda consultorias, palestras, workshops e podcast como ferramentas para ampliação do aprendizado, dentro e fora da sala de aula.

Tindin

Por fim, a Tindin é uma startup de educação. Seu principal produto é um ambiente virtual de aprendizagem gamificado, dentro de um contexto no metaverso, o que transforma o ensino híbrido em uma experiência imersiva.

Os usuários podem aplicar os conhecimentos teóricos multidisciplinares em situações práticas simuladas no ambiente digital. Para isso utiliza a educação financeira como principal mote para aplicação de conhecimentos diversos, aprendidos na escola.

O objetivo é democratizar o acesso à educação de qualidade por meio da combinação de tecnologias disruptivas e metodologias ativas. Seu modelo de negócio é predominantemente B2B. Porém, também possui frentes de atuação nos modelos B2G e B2B2G, oferecendo sua tecnologia para governos.

*Foto: Reprodução

Programa de soluções de impacto avança em Jundiaí

Programa de soluções de impacto

Programa de soluções de impacto no município do interior paulista abrange fase do Programa de Aceleração de Negócios de Impacto do IdeiaGov

Mais uma vez a cidade de Jundiaí, no interior paulista, participou de uma fase do Programa de Aceleração de Negócios de Impacto do IdeiaGov. O projeto criou um laboratório de inovação do governo do Estado, para avaliar as propostas feitas por 30 parceiros da iniciativa privada, com foco no fomento à inovação de impacto social por meio da aceleração de soluções inovadoras para os desafios enfrentados pela administração pública.

Programa de soluções de impacto

O programa de soluções de impacto foi realizado na sede do IdeiaGov, em São Paulo, e contou com palestras de especialistas nos temas de sustentabilidade no Poder Público, análise de dados para a tomada de decisões e experiência do cidadão com os serviços públicos.

Comissão

Além disso, a comissão de avaliação foi composta por representantes dos municípios participantes do desafio. Entre eles, representando Jundiaí, está o diretor do Departamento de Planejamento, Gestão e Finanças da Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS), Lucas Rodrigues.

Na ocasião, 30 empresas realizaram suas apresentações e as cinco startups mais bem avaliadas – nos critérios: empreendedor e equipe, inovação e diferenciação, modelo de negócio e impacto – foram premiadas como destaques.

Ainda de acordo com Lucas Rodrigues:

“A participação de Jundiaí é motivada pela visão de trazer inovação à gestão municipal, utilizando de parcerias e trabalho em rede para ampliarmos o alcance das nossas ações e a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos. Conseguir soluções piloto sem custos aos cofres públicos, como essa oportunidade que o IdeiaGov nos oferece, nos auxilia a ser cada vez mais assertivos nas eventuais futuras contratações.”

Próximos passos

Como próximos passos, startups e municípios trabalharão as afinidades detectadas entre os desafios públicos e soluções propostas. Além disso, uma ou mais startups poderão ser incubadas em um dos ambientes de inovação do Campus Jundiaí, pelo período de três meses, em troca de um atestado de capacidade técnica para a iniciativa.

Além da UGADS, também estão envolvidos no programa como representantes da Prefeitura a Unidade-Adjunta de Governo da Unidade de Gestão de Governo e Finanças (UGGF) e a Unidade de Gestão de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (UGDECT).

*Foto: Reprodução

Expo Impacto ocorre nesta semana: saiba tudo

Expo Impacto

Expo Impacto traz palestras sobre negócios e meio ambiente e é organizado pela Associação Amigos do Futuro, e acontece no Eixo Cultural Ibero-Americano

É fato que mais empresas buscam meios de trabalhar de forma mais ecológica. Isso envolve menos contaminação e ainda mantém o lucro. É o que o mercado chama de Empreendedorismo Sustentável. Ou seja, que se preocupa com o meio ambiente, e que atrai mais empresários. Porém, muitos não ainda como iniciar ou investir neste tipo de empreendimento.

Evento Expo Impacto

Sendo assim, entre os dias 23 e 26 de junho, vai ocorrer o evento Expo Impacto. Ele trará palestras, rodas de conversa, oficinas e estandes. A ideia é integrar a comunidade, o ecossistema de inovação e empreendedores, com impacto social para compartilhar conhecimentos sobre o empreendedorismo sustentável.

Organização

A organização é da Associação Amigos do Futuro, em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico. O evento Expo Impacto levará ao Distrito Federal também empresários e especialistas do para conectar ideias, buscar novos caminhos e inspirar atitudes ecológicas nos empresários brasilienses.

Além disso, o Expo Impacto terá estandes de empresas do segmento de impacto voltadas à ecologia, ecoturismo, empreendedorismo responsável e reciclagem.

Destaques da programação

Ao todo, serão dez encontros, com grandes nomes expoentes do mercado. É o caso de Paulo Sá, economista com MBA pela London Business School (UK). Ele abre o evento nesta quinta, às 10h30, para falar sobre Economia x Impacto social. Ainda no primeiro dia, Patricia Mazoni, profissional nas áreas de mobilização social, educação ambiental, e ecoturismo, e Gustavo Sá, produtor de eventos, falam às 17h sobre o impacto social de eventos sustentáveis.

Já no segundo dia, o destaque é para a palestra “Encontro de Artesanato sustentável e de impacto social”, liderada por Edinar Valeriano Gomes, artesã brasiliense com mais de 30 anos de experiência, às 14h30. No sábado, 25, às 17h, o Barba Rogério, responsável pelo projeto Barba na Rua, que ajuda pessoas em situação de vulnerabilidade nas ruas do DF, vai mediar a palestra sobre Projetos Sociais.

Sustentabilidade e Racismo

Contudo, para fechar o evento, as pautas escolhidas falam sobre Sustentabilidade e Racismo. No caso, serão duas palestras. A primeira será mediada por Rejane Pieratti, especialista em projetos de Sustentabilidade e Responsabilidade Socioambiental, às 14h30. E a segunda será comandada por Juvenal Araújo, ex-Secretário Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, às 17h.

Como participar

Para participar, os interessados devem fazer um credenciamento pelo formulário disponível neste link, que acontecerá no Eixo Cultural Ibero-Americano, com palestras que começam às 10h e terminam às 22h.

*Foto: Reprodução

Mercado solidário dá comida de graça a quem precisa no RJ

Mercado solidário da Parada São Jorge

Mercado solidário é uma iniciativa da Parada São Jorge, região pobre no interior de São Gonçalo, município na região metropolitana do Rio

Muitas famílias ficaram sem ter o que comer desde o começo da pandemia de Covid-19, em 2020. Pensando nisso, mulheres se uniram na comunidade da Parada São Jorge, região pobre no interior de São Gonçalo, município na região metropolitana do Rio para ofertar comida de graça a quem precisa. Nasceu assim um mercado solidário que agora está prestes a se tornar uma organização não governamental (ONG).

Mercado solidário da Parada São Jorge

A iniciativa do mercado solidário contou com a ajuda da publicitária Letícia da Hora, moradora da comunidade. Ela decidiu abrir este projeto de impacto social com a finalidade de arrecadar e doar cestas básicas.

No começo, tudo era feito de modo prosaico. Mas quase dois anos depois, ainda segue sendo sustentada por pessoas físicas, e sem nenhum auxílio público ou de entidades privadas. Portanto, são cidadãos desconhecidos que se mobilizam para ajudar outros a terem o que comer.

Como funciona o mercado solidário

O mercado solidário criado por Letícia e tocado pelas Mulheres da Parada, nome dado ao grupo, tem como alvo um problema urgente: a fome.

De acordo com Letícia:

“Logo na primeira onda da covid-19, tinha muita gente sem conseguir trabalhar. Aqui tem muita gente que é trabalhador informal – diaristas, camelôs -, que ficou sem conseguir trabalhar e ficou sem seu sustento. E a maioria trabalha hoje para comer amanhã.”

Inicialmente, ao projeto fazia apenas a distribuição de cestas básicas. Entretanto, depois ficou claro que a maior parte das pessoas buscava produtos bem específicos. Isso inclui: arroz, feição e macarrão. Sendo assim, as Mulheres da Parada tiveram a ideia de criar um mercadinho onde cada um fosse buscar o que precisava de fato, e sem precisar pagar nada por isso.

Cadastro

Atualmente, são 150 famílias cadastradas na Parada São Jorge. Isso dá em média 550 pessoas que recebem a ajuda. Os alimentos são doados por colaboradores.

Além disso, a maioria das vezes a doação é feita por meio de uma transferência de PIX. E as próprias mulheres tratam de comprar os produtos com algum fornecedor. Mas o desafio cresceu mais ainda nos últimos tempos, revela a publicitária.

“Desde outubro (do ano passado) diminuiu o número de doações, e o preço dos alimentos aumentou muito, muito mesmo. Antes, com o valor da doação, a gente conseguia fazer ‘2 X’, e hoje conseguimos ‘meio X’. E o número de pessoas precisando só aumenta, porque a crise está aí, com aumento do desemprego.”

Escolhas

Por outro lado, Letícia afirma que com menos dinheiro, o grupo acaba fazendo escolhas sobre quem ajudar e esta é a parte mais difícil. No começo, as famílias com cinco ou mais pessoas recebiam até 30 itens todos os meses. Mas agora este número caiu pela metade.

Com isso, a preferência hoje é para quem for mãe solo e/ou que sofre de alguma violência doméstica.

“Existem várias formas de você ser violentada, tem a agressão física, a moral e a patrimonial. E a gente percebeu que aqui, na comunidade, uma das formas que os homens têm para agredir essa mulher é na violência patrimonial. Às vezes eles têm dinheiro para comprar comida, mas eles não compram, para fazer essa mulher ficar ainda mais dependente dele.”

ONG

Com os grandes desafios diários, o coletivo das Mulheres da Parada vão ampliar sua atuação. Agora, o grupo está em processo para se transformar em uma ONG, o que facilitaria o recebimento de doações.

Além disso, uma horta comunitária já foi criada pelo projeto social. Também são oferecidos cursos para ensinar outras mulheres a plantar e a produzir o próprio alimento.

*Foto: Divulgação

Floresta de pé: negócio impacta comércio de produtos da Amazônia

Floresta de pé na Amazônia

Floresta de pé tem projeto com base no estudo A onda verde, da Climate Ventures e Pipe.Labo

Com base no estudo A onda verde, da Climate Ventures e Pipe.Labo, o projeto de floresta de pé pode contar com oportunidades de empreendimento e investimento com impacto social e ambiental no Brasil.

Projeto floresta de pé

As soluções para a floresta de pé tem como ponto de partida o uso do solo. Isso porque propõe desafios que impactam na produção de alimentos em larga escala, além da perda de produção ao longo das cadeias de valor. E ainda inclui assistência técnica ao produtor e rastreabilidade de produtos.

Práticas de gestão

Em relação ao mapeamento, ficou evidente que as oportunidades do setor florestal revelam a importância de viabilizar práticas de gestão. Estas devem promover a conservação e, ao mesmo tempo, que se mostrem atrativas financeiramente falando.

Além disso, tais iniciativas devem compreender as soluções tecnológicas e a inovação na gestão dos negócios. E isso indica tanto a necessidade de fortalecimento da produção florestal quanto à integração com mercados e cadeias de valor mais estruturadas. E é neste cenário que aparece a Apoena.

Onesimo Maurillo Jacinto e Kátia Piêra Batista Gomes fundaram a empresa em 2020, na cidade de Tefé, no coração da Amazônia. Hoje, a Apoena atua com mais de 50 extrativistas locais, que fornecem ao negócio de impacto socioambiental produtos como: óleos vegetais e essenciais, farinha regional e frutas típicas da floresta.

Soluções de beneficiamento para floresta de pé

A partir de insumos de base vegetal, antes comercializados in natura pelos produtores da floresta amazônica, a Apoena desenvolveu soluções de beneficiamento e de venda dentro de programas norteados por boas práticas no extrativismo. E isso tudo qualifica a comercialização com melhores arranjos produtivos. O resultado: um processo mais eficiente de ponta a ponta. Vale destacar que a própria empresa a questão logística, que é o grande desafio da região. Atualmente, São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro estão no mapa de cidades atendidas.

Na prática

Em suma, a empresa vende a farinha de mandioca Seu Joca, andiroba, copaíba, bre0branco, castanhas e óleos vegetais. No centro do trabalho dos empreendedores está a valorização dos pequenos produtores regionais, dos municípios de Uarini e Tefé; moradores nos entornos dos rios Japurá, Juruá, Coari Grande, Baiana e Igarapé-Açu. Estes cidadãos brasileiros que pautam o próprio cotidiano com impacto socioambiental e econômico positivo.

Automação social da produção local

Uma das vantagens da Apoena vem da automação social da produção local. E ela é focada em melhorar as condições de trabalho dos produtores rurais sem eliminar postos de trabalho.

Além disso, o negócio conta com estratégias que incluem:

  • disseminação de informações, via workshops e treinamentos, para a diminuição do uso do fogo;
  • a valorização da ‘floresta em pé’;
  • práticas de uso responsável do solo;
  • aumento de renda com uso de práticas que elevam a produtividade;
  • e a difusão de experiência pelo exemplo, que é genuíno e envolve um método de aprendizagem dos povos ancestrais.

Clientes

Entre os clientes deste negócio de economia circular escalável estão: a indústria de alimentação, representação comercial, supermercados, empórios, restaurantes, cafés e até compradores avulsos.

Por fim, para o futuro, o empreendedor indica que a meta é ampliar as parcerias a fim de potencializar as ideias inovadoras. Isso inclui a abundância de matéria-prima, que aqui é representada por resíduos de espécies nativas, podendo estimular uma destinação ecologicamente sustentável como carvão ativo, biomassa e tijolo ecológico, entre outros.

*Foto: Divulgação

Projetos sociais do Banco do Nordeste: abertura de editais

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Projetos sociais do Banco do Nordeste recebem inscrições até o dia 31 de outubro

Ainda dá tempo de se inscrever nos projetos sociais do Banco do Nordeste (BNB). Os Editais de Apoio têm como objetivo selecionar projetos sociais, esportivos e de saúde. Todos eles devem priorizar a redução de desigualdades sociais, além de fomentar a educação e a cidadania, assim como proteger crianças, adolescentes, adultos e idosos em situação de risco e vulnerabilidade social.

Ou seja, tais propostas devem conter uma avaliação de impacto para que realmente tenha uma mudança social por meio de um projeto.

Projetos sociais do Banco do Nordeste – que pode participar

Para participar dos projetos sociais do Banco do Nordeste é preciso ter propostas que estejam situadas na área de atuação do BNB. A iniciativa abrange municípios de todos os estados da região Nordeste e do Norte dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo. Confira abaixo as seguintes leis de incentivo impostas pela instituição:

  • Lei Federal 8.069/1990 (Fundo da Infância e Adolescência) – FIA;
  • Leis Federais 10.741 (Estatuto do Idoso) e 12.213 (Fundo Nacional do Idoso) – IDOSO;
  • Lei Federal 11.438 (Lei de Incentivo ao Esporte) – ESPORTE;
  • Lei Federal 12.715/2012 e Decreto 7.988/2013 – PRONON – Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica e PRONAS/PCD – Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência) – PRONON e PRONAS/PCD.

Editais específicos

Sendo assim, a instituição lançou editais específicos de seleção de projetos para cada lei de incentivo. Com isso, as organizações podem participar de um dos quatro editais disponíveis conforme sua atuação. Veja os editais:

  • Edital FIA 2021
  • Edital Idoso 2021
  • Edital Esporte 2021
  • Edital PRONON e PRONAS/PCD 2021

Valores dos projetos

O valor destinado a cada projeto ficou da seguinte forma: os da FIA, Idoso e Esporte será de, no mínimo, R$ 50 mil e no máximo, R$ 250 mil. Já para os projetos PRONON e PRONAS será destinado o valor de até R$ 300 mil.

Inscrições e acesso ao edital

As inscrições para os Projetos Sociais 2021 vão até o dia 31 de outubro.

Para ler o edital completo de cada modalidade e fazer sua inscrição, basta acessar o site oficial de informes do BNB e clicar na aba “01/10/2021 | Aviso Público de Apoio a Projetos Sociais – 2021”.

*Foto: Divulgação

Selo ilmpact reconhece inovações de impacto social

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Selo ilmpact é uma iniciativa do Innovation Latam em parceria com a Fundação Dom Cabral, qualificando startups comprometidas com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável definidos pela ONU

Neste ano, o selo iImpact recebeu 555 inscrições de startups de 24 países. A iniciativa é do Innovation Latam em parceria com a Fundação Dom Cabral. Sendo assim, ela reconhece startups que estão de fato gerando impacto social e ambiental positivo na América Latina.

Países

O Brasil concentra o maior número de inscrições, com 311 participantes. Em seguida, aparecem México (38), Chile (28) Peru (26) Argentina e Colômbia (24 de cada país).

Entre os destaques dos perfis das participantes é a predominância de startups maduras. Isso porque do total de inscritas, 86,7% possuem ao menos um MVP (Mínimo Produto Variável) estruturado. Já a metade (53,9%) das startups está em fase de tração (traction) ou escala (scale-up).

Selo ilmpact – 17 ODS

Além disso, o selo iImpact permite que startups se qualifiquem e mostrem ao mercado o compromisso em promover soluções que colaborem com os 17 ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2020, 65 projetos foram reconhecidos pelo impacto gerado na sociedade.

Cada startup pode indicar até três dos 17 ODS como foco de sua atuação. Na atual edição do selo, o 8º objetivo da ONU – trabalho decente e crescimento econômico – foi destacado por 135 das startups inscritas. E ainda tiveram mais de 100 registros os ODS 11 (cidades e comunidades sustentáveis), 12 (consumo e produção responsáveis) e 13 (ação contra a mudança global do clima).

Maior aderência das startups

Segundo o líder da metodologia de pesquisa da Fundação Dom Cabral, professor Fabian Salum, a edição 2021 demonstra o interesse e seletiva escolha com aderência recorrente das startups ao projeto iImpact.

“Percebe-se, na primeira fase da coleta de dados, que as startups participantes demonstraram novamente o interesse em compartilhar seus projetos, modelos de negócios, e formas de medir o impacto gerado de forma representativa e correlacionada à alguma das 17 ODS da ONU.”

As inscrições já foram encerradas e agora comela a seleção para a segunda fase. Com isso, as empresas selecionadas apresentarão as evidências do impacto que geram.

Além da validação da Fundação Dom Cabral, elas passarão pelo crivo de uma banca de jurados formada por 80 executivos de grandes companhias e organizações que atuam na América Latina e em outros países, e de docentes.

Empresas

Empresas participantes: Aegea, IBM, Ambev, Grant Thornton, Amazon, Gerdau, MRV Engenharia, Electrolux, Banco Carrefour, Grupo A.Yoshii Engenharia, Editora Globo, Grupo Sequoia, Bradesco, Cubo-Itaú, Dow, Roche e Saque-Pague, entre outras.

Já entre as organizações internacionais, os destaques são: ICLEI, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Future Females, Principles for Responsible Investment e ISH Markit for Latin America.

Processo de avaliação

O processo de avaliação é feito a partir da metodologia desenvolvida pelo Prof. Dr. Fabian Salum e sua equipe da Fundação Dom Cabral. Eles estão alinhados com os compromissos definidos pela ONU, e buscam a comprovação das evidências da contribuição socioambiental gerada pela startup para com a sociedade que recebe direta ou indiretamente o impacto positivo dessa contribuição.

*Foto: Divulgação

O que é Avaliação de Impacto e como ela reflete na sociedade

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Avaliação de Impacto considera a mudança social produzida por um programa ou projeto

Quando se considera o impacto da mudança social produzida por um programa ou projeto, estamos falando de uma avaliação. Neste artigo, você entenderá como este tipo de análise influencia em uma sociedade.

Avaliação de Impacto – o que é

Uma avaliação de impacto coleta resultados que se relacionam com as conquistas concretas. Em geral, ela corresponde ao alcance e a amplitude da iniciativa em questão. Além disso, o impacto social pode ter uma natureza mais subjetiva, associada à ideia de transformação na sociedade.

A avaliação é medida em torno do quanto este impacto muda a vida das pessoas envolvidas. Portanto, é uma prática reflexiva que visa buscar evidências para identificar se uma iniciativa tem atingido as transformações sociais que estipulou como objetivos.

Importância

A importância da Avaliação de Impacto vem de vários motivos e é uma ferramenta estratégica valiosa. Ela fornece ás organizações dados e evidências que possibilitam refletir sobre as abordagens adotadas. Com isso, ela pode oferecer suporte para o processo de tomada de decisão.

Ela também permite analisar a relação de causalidade entre as intervenções e os impactos percebidos, identificando fatores que são essenciais para impulsionar as transformações. Além disso, é capaz de saber os fatores que não contribuem de modo tão direto, e os limitadores que criam obstáculos.

Por fim, estudos avaliativos possuem o potencial de fortalecer o diálogo com investidores e com o setor público. Tudo isso auxilia as organizações a manterem um relacionamento transparente com doadores, e a reivindicarem melhorias nas políticas públicas e negociarem a ampliação de programas sociais efetivos.

O que é SROI e qual sua utilidade?

O ‘SROI – Social Return on Investment’, ou Retorno Social sobre Investimento, é um protocolo de avaliação que propõe uma análise comparativa entre o valor dos recursos investidos em um projeto ou programa e o valor social gerado para a sociedade com essa iniciativa. Para isso, ele aplica várias técnicas para prever o valor intangível de ativos que não podem ser comprados ou vendidos.

Esta ferramenta transcende a monetarização do impacto social. Mesmo que a relação custo-benefício seja o geralmente atrai a atenção dos investidores sociais, que enxergam a possibilidade de uma avaliação objetiva e financeira sobre o uso de seus recursos, este processo não deve ser considerado apenas um índice.

Amazônia

Em 2016, o IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) conduziu a avaliação do Retorno Social sobre Investimento de um projeto dedicado à primeira infância da Amazônia.

E o resultado positivo constatado pelo estudo foi de uma mudança social notável que o projeto gerou aos seus beneficiários. Isso porque ele ofereceu argumentos irrefutáveis para que o projeto se tornasse uma política pública. Sendo assim, houve um benefício para uma parcela significativamente maior da população, contribuindo para a melhoria da vida de mais crianças.

*Foto: Divulgação/Dirceu Quintino/Portal Amazônia